Igreja Nossa Senhora de Fátima
De Rio Cedro a Itanema: O Mistério das Árvores Sagradas
A comunidade nasceu sob o nome de Rio Cedro, em 1944, quando as primeiras famílias de colonos chegaram para cultivar a terra. Naquela época, a paisagem era dominada por majestosos cedros.
Um fato cultural riquíssimo da localidade é a relação mística dos moradores com essa árvore. Embora precisassem de lenha e madeira para construção, o cedro era considerado sagrado. A tradição oral dizia que o cedro foi a madeira usada na cruz de Cristo e, por isso, sua função era nobre: servia apenas para confeccionar os caixões dos entes queridos, sendo proibido seu uso para fogueiras ou fins comuns.
A Transformação pelo Carvão
Na década de 1950, a história da localidade mudou drasticamente com a abertura das primeiras minas. O progresso trouxe trabalhadores de diversas regiões e o vilarejo prosperou. Com a escassez dos cedros e a nova identidade ligada à mineração, o nome foi alterado para Itanema.
A origem do nome Itanema vem do Tupi: Ita (pedra) e Nema (mau cheiro), uma alusão ao cheiro característico do enxofre do carvão. Outra variação linguística interpreta como "pedra que pega fogo", descrevendo perfeitamente a riqueza que movia a economia local.
A Construção da Fé
A vida religiosa em Itanema começou de forma heróica:
- 1954: A comunidade uniu forças para erguer o que seria a primeira capela — um barraco simples onde os moradores se reuniam aos domingos para rezar o terço e manter a chama da fé acesa em meio à rotina exaustiva das minas.
- 1960: Iniciou-se o planejamento para uma estrutura definitiva, condizente com o crescimento do bairro.
O Marco de 1966: A Nova Capela
O dia 2 de outubro de 1966 ficou gravado na memória de Itanema. Em uma grande celebração em honra à padroeira Nossa Senhora de Fátima e a São José, foi inaugurada e benta a atual capela e o seu sino.
A primeira missa solene foi celebrada pelo Padre Hercílio Capeller, figura icônica que percorreu todo o interior de Lauro Müller consolidando as comunidades. A presença de Nossa Senhora de Fátima como padroeira reflete a forte devoção mariana dos trabalhadores, buscando proteção para as famílias e para aqueles que desciam diariamente às profundezas das minas.