Igreja Santa Maria Gorete
O Núcleo Colonial e o Desafio da Terra
A colonização de Rocinha do Meio teve início em 1915, integrando o importante Núcleo Agrícola Colonial Rocinha. O nome da localidade deriva de sua posição geográfica, margeando a imponente Serra da Rocinha, no complexo da Serra do Rio do Rastro. Geograficamente, o núcleo dividia-se em Rocinha Alta, Baixa e do Meio, formando um cinturão de produção que, entre 1930 e 1940, fervilhava com um grande número de famílias.
Naquela época, a comunidade era um exemplo de autossuficiência: possuía olarias, diversos engenhos de farinha e uma produção agrícola diversificada. No entanto, o final do século XIX e o início do XX trouxeram a mineração de carvão, e com ela, os primeiros danos ambientais. A poluição das águas e a contaminação do solo foram desafios precoces que os moradores tiveram que enfrentar para manter suas raízes no campo.
Fé em Madeira e Alvenaria
A vida espiritual começou, como em muitas comunidades pioneiras, com uma capela simples de madeira serrada manualmente. Contudo, o desejo de um templo definitivo uniu a localidade em um esforço coletivo que culminou na inauguração da atual igreja em alvenaria, no dia 25 de maio de 1969.
A identidade da capela é marcada por figuras fundamentais:
- A Padroeira: Santa Maria Goretti, cuja primeira imagem foi um gesto de generosidade da Sra. Rita De Brida Ronconi.
- Lideranças: Os primeiros capelães, os senhores Domingos Zomer e João Vieira, estabeleceram as bases da organização comunitária.
- Educação na Fé: A Sra. Maria de Lurdes Limas Warmelling foi a pioneira como a primeira catequista, semeando os valores cristãos nas gerações da época.
Preservação e Persistência
Atualmente, Rocinha do Meio vive uma realidade de luta. Composta por cerca de 10 famílias católicas, a comunidade dedica-se intensamente à manutenção de seu patrimônio. Recentemente, tanto a capela quanto o salão de festas passaram por reformas profundas, incluindo telhados, pisos, pinturas e a renovação completa do altar e dos bancos.
O maior sonho desses moradores é manter as portas da capela abertas — uma tarefa árdua diante dos poucos recursos, mas movida pelo mesmo espírito de trabalho que iniciou a colonização em 1915.
Referências de Pesquisa
As informações apresentadas baseiam-se nos seguintes registros:
- Arquivos do Núcleo Agrícola Colonial (Lauro Müller): Registros sobre a divisão territorial das Rocinhas e o histórico de ocupação agrícola de 1915.
- Relatórios de Impacto Ambiental Histórico (Região Sul/SC): Estudos sobre as consequências da mineração primitiva nas bacias hidrográficas da Serra do Rio do Rastro.
- Livro Tombo da Paróquia Imaculado Coração de Maria: Registros sobre a inauguração da igreja em 1969 e a nomeação dos primeiros capelães e catequistas.