Os Primeiros Passos: Fé entre os Trilhos e Minas
Nos primeiros anos do século XX, a localidade — então chamada apenas de Minas — não possuía templo próprio. A assistência espiritual dependia da Paróquia de Tubarão, de onde padres partiam em longas viagens para atender doentes e administrar sacramentos. Sem igreja, a fé encontrava abrigo no barracão da Cia. Barro Branco (onde hoje localiza-se o Posto Chaminé).
Um marco fundamental ocorreu em 1919, quando o Arcebispo de Florianópolis, Dom Joaquim Domingues de Oliveira, celebrou a primeira missa e crisma da localidade, despertando no povo o desejo de um espaço sagrado definitivo.
A Cruz na Colina e o Legado dos Vetterli
Em 1922, os padres missionários Martinho e Antônio Morais ergueram uma grande cruz em uma colina defronte à Vila Operária. Aquele cruzeiro tornou-se o primeiro ponto de encontro público para orações. Sensibilizada, a mineradora cedeu um barracão na Vila Operária para servir de capela.
Foi nesta época que surgiram dois símbolos históricos:
A Imagem: Um quadro do Imaculado Coração de Maria, doado por Marta Vetterli, esposa do gerente da mineradora, Walter Vetterli.
O Sino: Ofertado por Pedro Marcelino de Carvalho, este sino ecoou pela cidade até a inauguração da nova Matriz décadas depois.
O Projeto de Henrique Lage e os Desafios da Construção
Ao notar o fervor dos operários, o Dr. Henrique Lage, grande impulsionador da economia local, elaborou pessoalmente uma planta para uma capela maior e doou o terreno. Em 1923, os alicerces foram lançados, mas a obra parou por questões burocráticas entre o terreno e a Mitra Episcopal.
Somente em 1945, após a regularização com a Arquidiocese, a obra foi concluída. O acabamento artístico foi confiado a Nicolau Klinger, e o Padre Paulo Hobold (vigário de Orleans) ficou responsável por prover o templo com os paramentos e vasos sagrados em 1946.
A Instalação da Paróquia e o Ministério de Monsenhor Bernardo Peters
Em 2 de fevereiro de 1947, Lauro Müller viveu um dia histórico com a posse do seu primeiro pároco, o Monsenhor Bernardo Peters. No mês seguinte, uma missa monumental reuniu a cidade para a crisma de 1.256 pessoas, em uma celebração presidida novamente por Dom Joaquim.
A primeira festa da padroeira aconteceu em 24 de agosto de 1947. Embora a chuva tenha impedido a procissão, o evento marcou o início de uma tradição que une a cidade até hoje.
A Transformação: Da Antiga à Atual Matriz
Com o crescimento da cidade, a igreja de 1945 tornou-se pequena. Em 1973, sob a administração do Padre Hercílio Capeller, iniciou-se a demolição do antigo templo — incluindo a queda da torre em 22 de junho — para dar lugar à arquitetura moderna que vemos hoje.
A construção da atual Matriz atravessou anos de esforço comunitário, sendo concluída no período do Padre Armando Feltrin. É um fato histórico notável que esta obra monumental foi erguida exclusivamente com a força do povo, sem colaboração financeira da Prefeitura na época.
Tempos Modernos: O Cerco de Jericó
A paróquia continua inovando em sua caminhada espiritual. De 13 a 20 de maio de 2007, sob a liderança do Padre Antônio Vander da Silva, Lauro Müller realizou seu primeiro Cerco de Jericó. Foram sete dias e sete noites de oração ininterrupta (24 horas por dia), um evento que mobilizou milhares de fiéis e renovou a chama da fé na Matriz.
Reformas e Modernização da Matriz (2010 – 2018)
Após a conclusão da estrutura física iniciada pelo Padre Armando Feltrin, a igreja passou por importantes melhorias internas. Sob a gestão de diferentes párocos, como o Padre Valmor Boeger e o Padre Deonor Vieira do Nascimento, a Matriz recebeu:
Climatização e Som: A instalação de sistemas modernos de ar-condicionado e sonorização, tornando-a uma das mais confortáveis da região para grandes celebrações.
Revitalização das Pinturas: Manutenções artísticas para preservar o estilo arquitetônico único da "nova" Matriz.
Preparação para o Jubileu de 80 Anos (2027)
Atualmente, a paróquia vive um momento de resgate histórico, preparando-se para os 80 anos de instalação oficial (que ocorrerão em 2027).